FROID NR-1/ISO-45003 — para a NR-1

Como funciona, do cadastro à prova de eficácia

Siga a sequência operacional do FROID NR-1/ISO-45003. O cronograma deve ser definido pela organização conforme a coleta e as medidas de prevenção; as etapas abaixo não são promessa de prazo de implantação.

Antes de tudo, um esclarecimento que evita mal-entendido: no módulo NR-1 não existe sessão. Ninguém é entrevistado, ninguém liga a câmera e nenhum profissional do FROID entra na sua empresa. O trabalhador recebe um link para responder sobre condições de trabalho. O tempo de preenchimento varia; a participação não é atendimento clínico. A análise de voz e face é o outro produto do FROID, usado por profissionais de saúde no atendimento clínico — e o empregador nunca tem acesso a ele.

As nove etapas — e o desvio quando o ciclo não fecha

Estruturar

Cadastro e estrutura

Crie a conta e escolha “Somos uma empresa”. No cadastro empresarial, informe a organização, os estabelecimentos e seus efetivos; depois, os setores. Conclua os aceites e o módulo abre na mesma hora — não há liberação de acesso a esperar. Essa estrutura define os recortes que poderão ser avaliados; confira a prontidão da empresa antes de planejar a coleta.

Preparar a AEP

Trabalho real, método e evidências

A Avaliação Ergonômica Preliminar registra a organização do trabalho, duração, frequência e intensidade das exposições, possíveis cofatores, consulta aos trabalhadores, evidências utilizadas e responsável técnico. O questionário é uma das fontes: a AEP não nasce automaticamente das respostas e deve ser sustentada pela análise do trabalho real.

Coletar

Campanha, proteção e coleta

Na área de campanhas, defina público, instrumento, datas, aviso de finalidade, canal de apoio real e critérios de gradação. Se a organização já utiliza uma matriz de riscos no PGR, ela pode publicar os critérios correspondentes para manter coerência na avaliação psicossocial. Abra a coleta e emita os convites. O arquivo de distribuição relaciona matrícula e link: use-o para encaminhar os convites e apague-o após distribuir. O trabalhador não precisa de conta clínica para responder. A eventual reemissão deve ser feita pela ação própria da campanha.

Trava: sem canal de apoio informado, o sistema recusa abrir a campanha. Perguntar a alguém como ele está e não ter para onde encaminhá-lo é pior do que não perguntar.
Trava: durante toda a coleta a empresa não vê absolutamente nada — nem parcial, nem percentual por setor. O motivo é matemático: se o painel mostra o resultado com 30 respondentes e depois com 31, a diferença entre as duas telas revela a resposta do trigésimo primeiro.
Apurar

Encerramento e resultado agregado

Encerre a coleta pela ação da campanha, após conferir o período de participação. O encerramento é definitivo nessa campanha. Só depois consulte o painel: resultados agregados dependem dos portões de anonimato e representatividade. A empresa não recebe respostas individuais. Encerrar a coleta não garante que todos os recortes tenham resultado publicável.

Trava: um recorte sem dados suficientes não recebe classificação de risco. O inventário registra a insuficiência e o motivo; isso não equivale a risco baixo ou ausência de risco.
Documentar

Inventário vinculado à avaliação

Gere ou atualize o inventário e confira os recortes avaliados e os declarados insuficientes. Cada registro reúne perigo, fontes, possíveis danos, grupos expostos, medidas existentes, classificação, vínculo com a AEP e prazo de revisão. Alterações posteriores preservam o histórico anterior.

Agir

Plano, implementação e acompanhamento

Transforme os riscos priorizados em medidas com responsável, prazo, evidência de implementação, método de acompanhamento e resultado esperado. As medidas são da empresa; o FROID organiza decisões, critérios e datas para que exista uma trilha documental verificável.

Reavaliar

Nova campanha após as medidas

Planeje uma campanha posterior à implementação com instrumento e recorte compatíveis. Registre mudanças no contexto de trabalho que possam afetar a comparação e aguarde dados suficientes; recortes reprovados pelos portões de privacidade e representatividade continuam declarados como insuficientes.

Comprovar eficácia

Comparação entre ciclos

Na área de eficácia, relacione a campanha de referência, a campanha de acompanhamento, o risco e a medida implementada. O sistema compara as medidas disponíveis e registra o resultado e sua incerteza; a interpretação deve considerar as ações realizadas e mudanças no contexto de trabalho.

Um resultado inconclusivo não comprova melhora nem piora. Diferencie ausência de mudança detectável, piora e insuficiência de dados. A comparação entre campanhas, isoladamente, não prova que uma medida foi a causa da mudança.

Consolidar

Dossiê de evidências verificável

Reúna estrutura, AEP, campanhas encerradas, critérios, participação, inventário, medidas e eficácia em uma versão registrada. O FROID calcula o SHA-256 do conteúdo canônico, encadeia a versão à anterior e oferece a leitura em tela, o PDF institucional e o JSON estruturado.

Se reprovar

A medida não funcionou — e a norma já diz o que fazer

Acontece, e não é fracasso do fornecedor. A NR-1 prevê a situação: medida cujo acompanhamento indicar ineficácia deve ser corrigida (subitem 1.5.5.3.2.1), o risco não baixa na gradação enquanto não houver resultado, e a revisão da avaliação é antecipada. O ciclo recomeça, um degrau acima na ordem de prioridade das medidas.

Ver o procedimento completo, subitem por subitem

Da gestão à comprovação

Comprovação de Gestão Diciplinar

O FROID transforma o ciclo psicossocial em uma cadeia documental: mostra o escopo avaliado, as fontes utilizadas, as decisões adotadas, quem ficou responsável, como a medida foi acompanhada e o que a reavaliação encontrou. Nenhuma resposta individual de trabalhador integra o dossiê.

01 · CONTEXTO

Origem e método permanecem ligados

Estrutura organizacional, critérios publicados, AEP, evidências metodológicas e registros de participação dão contexto aos resultados agregados.

02 · DECISÃO

Do risco à providência adotada

Inventário e plano conectam perigo, grupos expostos, classificação, medida, responsável, prazo, acompanhamento e resultado esperado.

03 · ACOMPANHAMENTO

A eficácia fecha — ou reabre — o ciclo

A campanha posterior é comparada à referência. Eficácia insuficiente mantém a necessidade de correção visível e abre novo acompanhamento.

04 · INTEGRIDADE

Versões preservadas e encadeadas

Cada conteúdo novo recebe versão, data, conta responsável pelo registro e SHA-256; o hash anterior integra a cadeia. O papel operacional não pode alterar ou excluir uma versão registrada.

  1. Consolida somente os registros organizacionais e resultados agregados autorizados.
  2. Ordena o conteúdo em uma representação canônica estável.
  3. Calcula o SHA-256 que identifica exatamente aquele conteúdo.
  4. Grava a versão append-only e a conecta ao hash da versão anterior.
  5. Recalcula o hash na consulta para conferir a integridade preservada.
Painel interativoConsulta operacional da prontidão, dos registros e do histórico.
PDF institucionalDocumento A4 com faixa FROID, rodapé, paginação, conteúdo e hash.
JSON estruturadoArquivo dos dados estruturados e do hash registrado para análise técnica e guarda.
O que essa comprovação significa: a igualdade do SHA-256 confirma que o conteúdo consultado corresponde ao conteúdo registrado; o histórico append-only e o encadeamento tornam alterações e substituições detectáveis. O hash não identifica o signatário e não substitui a assinatura eletrônica definida pela organização. O PDF apresenta o hash do conteúdo do dossiê; salvar o PDF pelo navegador não equivale, por si só, a assinar digitalmente o arquivo.

Acesse o Modelo Operacional

Por que ninguém consegue saber quem respondeu o quê

Esta é a primeira pergunta de qualquer CIPA, de qualquer sindicato e de qualquer trabalhador que vai relatar assédio. A resposta não é uma promessa de conduta — é uma propriedade da arquitetura, e cabe em quatro fatos verificáveis.

1. O conhecimento nasce partido em duas mãos

Para despachar os convites, a sua empresa recebe o pareamento entre matrícula e link. O FROID não guarda esse pareamento. Do nosso lado existe apenas um pseudônimo, derivado da matrícula por HMAC-SHA256 com uma chave que fica no servidor — sem ela, ninguém reconstrói a tabela partindo de uma folha de pagamento que já tenha. Sozinha, nenhuma das duas partes consegue ligar pessoa e resposta.

2. A aplicação não consegue ler uma resposta

As tabelas de respostas não têm política de leitura, e o papel de banco que a aplicação usa teve todos os privilégios sobre elas revogados. Ele consegue gravar uma resposta e consegue pedir um agregado — não consegue ler uma de volta. A única saída é uma função que soma os resultados e aplica o piso de coorte dentro do próprio SQL, de modo que a garantia sobrevive até a um erro de programação na camada de cima.

3. Quando a coleta fecha, o elo é apagado

Durante a coleta existe um vínculo entre o convite e a resposta — ele é o que impede que o mesmo link seja usado duas vezes. No instante em que a campanha é encerrada, e no mesmo commit, esse vínculo é apagado do banco de dados. A partir daí o dado que permitiria o pareamento deixa de existir: não há o que recuperar, nem sob ordem judicial, porque não há o que entregar. Cada encerramento registra na trilha de auditoria quantos vínculos foram rompidos.

4. O resultado só aparece somado

Nenhum recorte é publicado abaixo do piso de coorte, e recortes insuficientes são declarados como insuficientes em vez de sumirem da tela — suprimir esconde, declarar documenta. Resultados também não são liberados durante a coleta, porque a diferença entre dois momentos revelaria a resposta de quem entrou no intervalo.

O que nós não prometemos. A sua empresa distribui os links e, por isso, sabe se você respondeu — nunca o que você respondeu. Dizemos isso com todas as letras no cabeçalho do convite, e não por formalidade: prometer também anonimato de participação seria o único exagero capaz de derrubar a credibilidade de tudo o que garantimos de verdade.

A listagem do Guia MTE 2025

O Guia de informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho traz esta listagem de perigos e suas possíveis consequências. Ela é orientativa e não taxativa: a fiscalização avalia a coerência do processo de identificação, não a aderência literal à lista. Sua empresa pode incluir perigos próprios do setor e afastar os que não se aplicam, desde que documente a justificativa técnica.

Perigo (fator de risco psicossocial)Possível lesão ou agravo
Gestão e organização do trabalho
Má gestão de mudanças organizacionaisTranstorno mental; DORT
Baixa clareza de papel/funçãoTranstorno mental
Baixas recompensas e reconhecimentoTranstorno mental
Falta de suporte/apoio no trabalhoTranstorno mental
Baixo controle no trabalho / falta de autonomiaTranstorno mental; DORT
Baixa justiça organizacionalTranstorno mental
Carga e demanda
Excesso de demandas no trabalho (sobrecarga)Transtorno mental; DORT
Baixa demanda no trabalho (subcarga)Transtorno mental
Relacionamento e violência
Assédio de qualquer natureza no trabalhoTranstorno mental
Eventos violentos ou traumáticosTranstorno mental
Más relações no local de trabalhoTranstorno mental
Ambiente e modalidade
Trabalho remoto e isoladoTranstorno mental; fadiga
Trabalho em condições de difícil comunicaçãoTranstorno mental

Trabalho remoto, híbrido e teletrabalho entram na avaliação. A empresa adapta a estratégia ao contexto — não exclui esses trabalhadores.

O que é igual em toda empresa, e o que muda

Igual para todosMuda em cada empresa
As 13 dimensões e os itens do instrumento A estrutura de unidades e setores
O piso mínimo de respondentes O canal de apoio, que é da empresa
Nada sai enquanto a coleta está aberta O contexto das perguntas por setor econômico
Os nove campos do inventário A matriz de gradação, se já usarem uma

A campanha registra o instrumento utilizado. Para comparar dois momentos, mantenha instrumento e recorte compatíveis; trocar as perguntas ou a população pode inviabilizar a leitura de eficácia. O cadastro da empresa não torna os instrumentos intercambiáveis.

E se a segunda avaliação reprovar?

A empresa mediu, encontrou risco, mudou processos, mediu de novo — e o índice continua ruim. É a situação que mais assusta quem contrata, e a que mais gera a pergunta errada: “como eu faço para o número melhorar?”

A NR-1 já responde. E a resposta não é justificar: é corrigir a medida.

“As medidas de prevenção devem ser corrigidas quando os dados obtidos no acompanhamento indicarem ineficácia em seu desempenho.”

NR-1, subitem 1.5.5.3.2.1

Esse subitem não é isolado — ele se encaixa numa engrenagem que a norma fecha por completo:

Subitem O que determina Efeito quando a segunda avaliação reprova
1.5.4.4.5.3 A probabilidade deve considerar as exigências da atividade e a eficácia das medidas de prevenção implementadas. O risco não cai. Ele só cairia se a medida tivesse funcionado — e ela não funcionou. A gradação permanece alta.
1.5.5.3.2 O desempenho das medidas deve ser acompanhado de forma planejada. O acompanhamento é obrigatório. Foi ele que revelou a ineficácia — a segunda avaliação é a norma funcionando, não o contrário.
1.5.5.3.2.1 Medida cujo acompanhamento indicar ineficácia deve ser corrigida. Nasce uma obrigação nova: corrigir. Repetir a mesma medida com outro nome não corrige.
1.4.1, “g” Ordem de prioridade das medidas: eliminar o fator de risco; medidas de proteção coletiva; medidas administrativas ou de organização do trabalho; e, por último, proteção individual. Corrigir normalmente significa subir um degrau. Se falhou um treinamento (administrativa), a resposta esperada não é outro treinamento — é mexer na organização do trabalho ou eliminar o fator.
1.5.5.2.2 Para as medidas deve haver cronograma, responsáveis, formas de acompanhamento e aferição de resultados. A medida corrigida entra em novo plano de ação, com prazo e responsável nomeado.
1.5.5.2.1.1 O número de trabalhadores possivelmente atingidos aumenta a prioridade da ação. Risco que resistiu à primeira intervenção e atinge muita gente sobe na fila, não desce.
1.5.4.4.6 “a” e “c” A avaliação é processo contínuo, revista a cada dois anos — ou antes, entre outras hipóteses, após implementar medidas (riscos residuais) e quando identificadas inadequações, insuficiências ou ineficácias. A reprovação antecipa a revisão obrigatória. Não dá para esperar o biênio.
1.5.7.3.2 e 1.5.7.3.3.1 Inventário de riscos com os nove campos, e histórico guardado por 20 anos. A medida que falhou e a correção adotada ficam registradas. Isso é memória, e memória é o que a fiscalização e o Judiciário leem.

Em ordem prática, quando a segunda avaliação reprova:

  1. Registrar a ineficácia. Não maquiar, não reclassificar, não trocar de instrumento para conseguir outro número.
  2. Manter a gradação alta. O risco não baixa por esforço, baixa por resultado.
  3. Corrigir a medida, subindo na ordem de prioridade do 1.4.1 “g”.
  4. Abrir novo plano de ação com cronograma, responsável e forma de aferição.
  5. Repriorizar considerando quantos trabalhadores estão expostos.
  6. Antecipar a revisão da avaliação de riscos.
  7. Medir de novo. O ciclo não fecha enquanto a medida não demonstrar efeito.
Por que isso é uma vantagem, e não um problema. A empresa que não mede pode alegar que a medida funcionou, e ninguém contesta — até um auto de infração, uma perícia ou uma ação civil pública. A que mede fica com um resultado desconfortável, mas fica também com a prova de que acompanhou, identificou a falha e corrigiu. É exatamente o que o subitem 1.5.5.3.2 exige e o que quase ninguém consegue apresentar.

O FROID trata isso no motor de cálculo, não no texto do relatório: medida classificada como ineficaz não concede nenhuma redução de probabilidade na gradação. Ela não pode baixar o risco no papel enquanto falha na prática. E a direção de um efeito só é declarada depois de sobreviver ao ruído da própria coorte, com intervalo de confiança de 95% — para que “melhorou” signifique melhorou, e não variação de amostra.

Os subitens acima são citados a partir do texto da NR-1 com as alterações da Portaria MTE nº 1.419/2024. Esta página descreve o procedimento previsto na norma e não constitui parecer jurídico: a análise do caso concreto cabe à assessoria jurídica da organização.

A sua empresa tem tamanho para isso?

Os dois portões que decidem isso — o de anonimato e o de representatividade — estão explicados por inteiro em Quando o dado não basta, inclusive o que acontece com o recorte que não os vence.

O resultado só é liberado acima de um piso de respondentes, e é por isso que empresas pequenas às vezes não conseguem resultado por setor. Vale descobrir antes de contratar, não depois.

A dispensa de elaboração do PGR para microempresas e empresas de pequeno porte depende das condições previstas na NR-1; não é automática pelo porte. Confira o enquadramento com o responsável pela segurança e saúde no trabalho. A documentação de AEP tem fluxo próprio no FROID, independente da liberação de resultados do questionário. Consulte a orientação oficial do MTE.

Verificar prontidão da minha empresa Tirar uma dúvida sobre a norma

O que o FROID não faz, em nenhuma hipótese: não emite diagnóstico, não classifica trabalhador em faixa de risco, não entrega resposta individual ao empregador e não é instrumento psicométrico validado. Ele mede condições de trabalho e produz os documentos que a NR-1 exige.