Origem e método permanecem ligados
Estrutura organizacional, critérios publicados, AEP, evidências metodológicas e registros de participação dão contexto aos resultados agregados.
FROID NR-1 / Como funciona
O produto empresarial organiza informações sobre condições de trabalho. Não utiliza a análise clínica de voz e rosto para classificar trabalhadores.
Descreva a estrutura, atividades, unidades, setores e efetivo. Nomeie responsáveis pelo projeto e pela avaliação técnica. Decida quais recortes seriam úteis, sem presumir que todos poderão ser divulgados.
Documente a finalidade da campanha, as condições de participação e o canal de apoio aos trabalhadores. Revise os critérios e a matriz de risco com os responsáveis técnicos. Transparência precisa vir antes da coleta.
O questionário aborda condições de trabalho. Ele deve ser contextualizado com observação da atividade real, diálogo, análise documental e outras fontes pertinentes. Uma pesquisa isolada não substitui toda a avaliação.
O acesso a resultados agregados depende das regras de encerramento, participação e proteção dos grupos. “Não foi possível concluir” é diferente de “não há risco”. A insuficiência de dados deve ser registrada.
Reúna caracterização do trabalho, perigos, grupos expostos, critérios e avaliação. O plano deve identificar o que será feito, por quem, em que prazo e como será acompanhado. Inventário e documentação da AEP devem refletir a avaliação técnica, não apenas a saída de um formulário.
A organização executa as medidas e registra evidências. Como um diário de bordo, o histórico deve permitir compreender decisões e mudanças — não apenas exibir o resultado final.
Comparações entre momentos usam critérios consistentes e consideram a incerteza. Um resultado inconclusivo não prova ausência de efeito; uma diferença observada, por si só, não prova causalidade. O responsável técnico avalia a necessidade de correção das medidas.
O FROID transforma o ciclo psicossocial em uma cadeia documental: mostra o escopo avaliado, as fontes utilizadas, as decisões adotadas, quem ficou responsável, como a medida foi acompanhada e o que a reavaliação encontrou. Nenhuma resposta individual de trabalhador integra o dossiê.
Estrutura organizacional, critérios publicados, AEP, evidências metodológicas e registros de participação dão contexto aos resultados agregados.
Inventário e plano conectam perigo, grupos expostos, classificação, medida, responsável, prazo, acompanhamento e resultado esperado.
A campanha posterior é comparada à referência. Eficácia insuficiente mantém a necessidade de correção visível e abre novo acompanhamento.
Cada conteúdo novo recebe versão, data, conta responsável pelo registro e SHA-256; o hash anterior integra a cadeia. O papel operacional não pode alterar ou excluir uma versão registrada.
| Igual para todos | Muda em cada empresa |
|---|---|
| As 13 dimensões e os itens do instrumento | A estrutura de unidades e setores |
| O piso mínimo de respondentes | O canal de apoio, que é da empresa |
| Nada sai enquanto a coleta está aberta | O contexto das perguntas por setor econômico |
| Os nove campos do inventário | A matriz de gradação, se já usarem uma |
A campanha registra o instrumento utilizado. Para comparar dois momentos, mantenha instrumento e recorte compatíveis; trocar as perguntas ou a população pode inviabilizar a leitura de eficácia. O cadastro da empresa não torna os instrumentos intercambiáveis.
A empresa mediu, encontrou risco, mudou processos, mediu de novo — e o índice continua ruim. É a situação que mais assusta quem contrata, e a que mais gera a pergunta errada: “como eu faço para o número melhorar?”
A NR-1 já responde. E a resposta não é justificar: é corrigir a medida.
“As medidas de prevenção devem ser corrigidas quando os dados obtidos no acompanhamento indicarem ineficácia em seu desempenho.”
NR-1, subitem 1.5.5.3.2.1Esse subitem não é isolado — ele se encaixa numa engrenagem que a norma fecha por completo:
| Subitem | O que determina | Efeito quando a segunda avaliação reprova |
|---|---|---|
| 1.5.4.4.5.3 | A probabilidade deve considerar as exigências da atividade e a eficácia das medidas de prevenção implementadas. | O risco não cai. Ele só cairia se a medida tivesse funcionado — e ela não funcionou. A gradação permanece alta. |
| 1.5.5.3.2 | O desempenho das medidas deve ser acompanhado de forma planejada. | O acompanhamento é obrigatório. Foi ele que revelou a ineficácia — a segunda avaliação é a norma funcionando, não o contrário. |
| 1.5.5.3.2.1 | Medida cujo acompanhamento indicar ineficácia deve ser corrigida. | Nasce uma obrigação nova: corrigir. Repetir a mesma medida com outro nome não corrige. |
| 1.4.1, “g” | Ordem de prioridade das medidas: eliminar o fator de risco; medidas de proteção coletiva; medidas administrativas ou de organização do trabalho; e, por último, proteção individual. | Corrigir normalmente significa subir um degrau. Se falhou um treinamento (administrativa), a resposta esperada não é outro treinamento — é mexer na organização do trabalho ou eliminar o fator. |
| 1.5.5.2.2 | Para as medidas deve haver cronograma, responsáveis, formas de acompanhamento e aferição de resultados. | A medida corrigida entra em novo plano de ação, com prazo e responsável nomeado. |
| 1.5.5.2.1.1 | O número de trabalhadores possivelmente atingidos aumenta a prioridade da ação. | Risco que resistiu à primeira intervenção e atinge muita gente sobe na fila, não desce. |
| 1.5.4.4.6 “a” e “c” | A avaliação é processo contínuo, revista a cada dois anos — ou antes, entre outras hipóteses, após implementar medidas (riscos residuais) e quando identificadas inadequações, insuficiências ou ineficácias. | A reprovação antecipa a revisão obrigatória. Não dá para esperar o biênio. |
| 1.5.7.3.2 e 1.5.7.3.3.1 | Inventário de riscos com os nove campos, e histórico guardado por 20 anos. | A medida que falhou e a correção adotada ficam registradas. Isso é memória, e memória é o que a fiscalização e o Judiciário leem. |
Em ordem prática, quando a segunda avaliação reprova:
O FROID trata isso no motor de cálculo, não no texto do relatório: medida classificada como ineficaz não concede nenhuma redução de probabilidade na gradação. Ela não pode baixar o risco no papel enquanto falha na prática. E a direção de um efeito só é declarada depois de sobreviver ao ruído da própria coorte, com intervalo de confiança de 95% — para que “melhorou” signifique melhorou, e não variação de amostra.
Os subitens acima são citados a partir do texto da NR-1 com as alterações da Portaria MTE nº 1.419/2024. Esta página descreve o procedimento previsto na norma e não constitui parecer jurídico: a análise do caso concreto cabe à assessoria jurídica da organização.
Os dois portões que decidem isso — o de anonimato e o de representatividade — estão explicados por inteiro em Quando o dado não basta, inclusive o que acontece com o recorte que não os vence.
O resultado só é liberado acima de um piso de respondentes, e é por isso que empresas pequenas às vezes não conseguem resultado por setor. Vale descobrir antes de contratar, não depois.
A dispensa de elaboração do PGR para microempresas e empresas de pequeno porte depende das condições previstas na NR-1; não é automática pelo porte. Confira o enquadramento com o responsável pela segurança e saúde no trabalho. A documentação de AEP tem fluxo próprio no FROID, independente da liberação de resultados do questionário. Consulte a orientação oficial do MTE.
Verificar prontidão da minha empresa Tirar uma dúvida sobre a norma
Esta é a primeira pergunta de qualquer CIPA, de qualquer sindicato e de qualquer trabalhador que vai relatar assédio. A resposta não é uma promessa de conduta — é uma propriedade da arquitetura, e cabe em quatro fatos verificáveis.
Para despachar os convites, a sua empresa recebe o pareamento entre matrícula e link. O FROID não guarda esse pareamento. Do nosso lado existe apenas um pseudônimo, derivado da matrícula por HMAC-SHA256 com uma chave que fica no servidor — sem ela, ninguém reconstrói a tabela partindo de uma folha de pagamento que já tenha. Sozinha, nenhuma das duas partes consegue ligar pessoa e resposta.
As tabelas de respostas não têm política de leitura, e o papel de banco que a aplicação usa teve todos os privilégios sobre elas revogados. Ele consegue gravar uma resposta e consegue pedir um agregado — não consegue ler uma de volta. A única saída é uma função que soma os resultados e aplica o piso de coorte dentro do próprio SQL, de modo que a garantia sobrevive até a um erro de programação na camada de cima.
Durante a coleta existe um vínculo entre o convite e a resposta — ele é o que impede que o mesmo link seja usado duas vezes. No instante em que a campanha é encerrada, e no mesmo commit, esse vínculo é apagado do banco de dados. A partir daí o dado que permitiria o pareamento deixa de existir: não há o que recuperar, nem sob ordem judicial, porque não há o que entregar. Cada encerramento registra na trilha de auditoria quantos vínculos foram rompidos.
Nenhum recorte é publicado abaixo do piso de coorte, e recortes insuficientes são declarados como insuficientes em vez de sumirem da tela — suprimir esconde, declarar documenta. Resultados também não são liberados durante a coleta, porque a diferença entre dois momentos revelaria a resposta de quem entrou no intervalo.
O Guia de informações sobre os Fatores de Riscos Psicossociais Relacionados ao Trabalho traz esta listagem de perigos e suas possíveis consequências. Ela é orientativa e não taxativa: a fiscalização avalia a coerência do processo de identificação, não a aderência literal à lista. Sua empresa pode incluir perigos próprios do setor e afastar os que não se aplicam, desde que documente a justificativa técnica.
| Perigo (fator de risco psicossocial) | Possível lesão ou agravo |
|---|---|
| Gestão e organização do trabalho | |
| Má gestão de mudanças organizacionais | Transtorno mental; DORT |
| Baixa clareza de papel/função | Transtorno mental |
| Baixas recompensas e reconhecimento | Transtorno mental |
| Falta de suporte/apoio no trabalho | Transtorno mental |
| Baixo controle no trabalho / falta de autonomia | Transtorno mental; DORT |
| Baixa justiça organizacional | Transtorno mental |
| Carga e demanda | |
| Excesso de demandas no trabalho (sobrecarga) | Transtorno mental; DORT |
| Baixa demanda no trabalho (subcarga) | Transtorno mental |
| Relacionamento e violência | |
| Assédio de qualquer natureza no trabalho | Transtorno mental |
| Eventos violentos ou traumáticos | Transtorno mental |
| Más relações no local de trabalho | Transtorno mental |
| Ambiente e modalidade | |
| Trabalho remoto e isolado | Transtorno mental; fadiga |
| Trabalho em condições de difícil comunicação | Transtorno mental |
Trabalho remoto, híbrido e teletrabalho entram na avaliação. A empresa adapta a estratégia ao contexto — não exclui esses trabalhadores.