Ciência
Organizamos a bibliografia por pilar tecnológico. Onde a ciência é sólida, mostramos o estudo e o número exato. Onde é framework proprietário, dizemos isso sem rodeio.
Explorador de evidências
Voz menos variável em F0, mais pausas e fala mais lenta em quadros depressivos — replicado em múltiplos estudos independentes.
Ressalva de rigor: os mesmos padrões (F0 reduzida, prosódia achatada) também aparecem em Parkinson, degeneração frontotemporal, ELA e esquizofrenia. Não é um marcador específico de depressão isoladamente — é um sinal transdiagnóstico de lentificação neuromotora, e tratamos como tal.
Coeficientes cepstrais estáticos e suas derivadas capturam dinâmica temporal relevante para estado afetivo e coordenação articulatória.
Ressalva: deltas nem sempre superam o MFCC estático — depende de tarefa e classificador.
F0 dinâmico e velocidade de fala mudam com o estado de humor, mas com alta variabilidade intra e interindividual.
Honestidade científica: Pal et al. (2025), Annals of Indian Psychiatry, não encontrou diferença significativa em F0, intensidade, jitter ou shimmer entre mania, depressão e eutimia (DOI 10.4103/aip.aip_221_24). Incluímos esse resultado contrário de propósito.
Modelagem de onset/apex/offset de Unidades de Ação com HMM/HSMM é metodologia madura em visão computacional. O FROID não a implementa: o motor converte blendshapes em 16 AUs por quadro e cruza seis combinações de co-ocorrência, sem modelo de Markov e sem fases temporais. O que está maduro aqui é o campo, não este produto — ver os limites declarados.
Ressalva importante: a hipótese clássica do "sorriso de Duchenne" (AU6+AU12 = sorriso genuíno) é contestada por pesquisa recente, que encontrou que AU6 se correlaciona com intensidade do sorriso, não com autenticidade emocional. O FROID usa essa configuração como um fator entre vários, não como detector isolado de dissimulação.
Existe literatura real sobre microtremor vocal fisiológico e sobre F0/jitter/shimmer reagindo a estresse em geral.
Este é o pilar mais experimental do sistema — tratamos os índices subharmonic_energy_5_12hz como sinal exploratório, não como biomarcador validado.
A física por trás (densidade espectral de potência via FFT) é real. O mapeamento de faixas de Hz específicas para dicotomias emocionais não tem nenhuma fonte revisada por pares — segue o padrão de frequências solfeggio/chakra, e a origem real é a tecnologia comercial de biofeedback de voz.
Comunicamos isso explicitamente como heurística de produto FROID — nunca como neurociência validada.
Uma evidência que não vem do sinal
Tudo acima nesta página trata do que a máquina mede. Esta seção trata de outra coisa, e de uma que não depende de nenhum índice funcionar: o que o paciente diz ao se reconhecer — ou ao não se reconhecer — naquilo que acabou de expressar.
Quando alguém escuta a própria fala devolvida, ou vê descrita a própria expressão, a reação a isso não é acessório da sessão — é matéria dela. O paciente reconhece, estranha, corrige, recusa. Cada uma dessas reações aponta para onde há algo a trabalhar.
É a diferença entre o que a pessoa diz e o que ela percebe ter dito. Essa distância, quando aparece, costuma marcar exatamente o assunto que importa.
«Isso não sou eu» carrega tanta informação clínica quanto «é exatamente isso». A leitura útil não é a que o paciente confirma; é a que ele tem alguma coisa a dizer sobre.
Por isso o FROID não pede validação ao paciente. Devolver a expressão dele para que ele reaja é o objetivo. Uma reação de recusa é resultado, não falha.
A percepção do paciente sobre a própria expressão orienta onde o trabalho vai — que tema merece tempo, o que ficou de fora, o que ele evitou nomear. É bússola de conteúdo.
O que ela não é: confirmação de índice. Que o paciente concorde com uma leitura não a torna correta, e que discorde não a torna errada. São duas perguntas diferentes, e misturá-las produziria uma validação circular — o instrumento se aprovando pela boca de quem ele mede.
Ela não passa pelo nosso pipeline. Não depende de microfone, de captura acústica, de modelo, nem de o motor estar medindo em vez de simular. É testemunho direto, colhido pelo profissional na sala.
A consequência prática importa: quando um índice do FROID falha ou fica indisponível, o que o paciente relatou sobre si continua valendo integralmente. As duas fontes são independentes, e é justamente por isso que vale manter as duas.
Ressalva de rigor: auto-relato tem limites conhecidos e bem documentados — desejabilidade social, viés de memória, e o fato de que nem tudo o que importa é acessível à consciência de quem fala. Ele não é padrão-ouro nem árbitro dos índices. É uma fonte independente, com forças e fraquezas distintas das do sinal acústico, e o valor está exatamente em serem distintas.
O que ainda não sabemos
Esta página separa ciência publicada de metodologia própria. O Data-Froid pertence à segunda coluna hoje — e é o caminho pelo qual parte dela pode, com o tempo, migrar para a primeira. Vale dizer com precisão o que isso significa, e o que não significa.
O IPM e o IDM são hoje heurística de produto: a forma FROID de organizar sinais que a literatura estuda há décadas. Uma base grande permite perguntar se os cortes que adotamos correspondem a algo — se a distribuição se comporta como o modelo prevê, se os agrupamentos se repetem, e o que não se sustenta quando o número cresce.
Permite também auditar viés: verificar se a leitura se comporta de modo diferente por sotaque, faixa etária ou tom de pele — que é a checagem que modelos treinados fora do Brasil quase nunca sofrem.
Volume não substitui desenho experimental. O Data-Froid é observacional: mostra o que se associa a quê, entre quem usou a plataforma — não estabelece causalidade, não tem grupo de controle, e carrega o viés de quem procura atendimento e de quem escolhe esta ferramenta.
Nada que saia dele, por si só, valida um índice como instrumento clínico. O que ele oferece é evidência de convergência e hipótese qualificada — o insumo de uma validação, não a validação.
Metodologia de verificação
Cada citação nesta página foi conferida de forma independente — DOI resolvido, e no caso do estudo-âncora (Zhao et al., 2022), o texto integral foi lido na fonte original para confirmar que os números batem exatamente com o que o FROID cita.